Como acabei de chegar a casa vindo das habituais terúlias de poesia de quarta-feira, apeteceu-me colocar aqui um poema para tornar isto mais "cultural", sei lá...
Aqui vai um de que gosto muito:
Soneto de Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Que vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
gosto da máxima de que tudo é infinito enqt dura!
k seja sempre assim :)
Infinito é quando vivido de forma intensa e verdadeira.
Que a chama que queima minhas mãos, encerre o calor do teu corpo...
Desenvolto, respira tirando a sede da minha pele...no bailado do labelo
Devorando e consumindo o maior encanto da força dum pensamento...
Não me lembro, dirás
Eu nunca, nunca esquecerei, pois eu sei, que eu amei!
Rute
Havia uma flor.
Uma flor singela, pequena, muito branca e dona de um perfume singular.
Vivia num prado de um enorme verde, atravessado por um ruidoso regato.Cantava pelos seixos que dormiam no seu raso leito, de água fresca e lúcida.
Alí perto erguia-se uma oliveira,que envelhecia com a dignidade de quem enfrentou temporais, sóis teimosos, que tudo querem tomar.Era ela o único abrigo da flor. Era com ela que a flor partilhava o seu maior desejo. Sim a flor tinha um desejo. Queria ter pernas para atravessar o horizonte. Queria conhecer o que se esconde por tras do sol pôr.A oliveira nada podia esclarecer.Via os pássaros que em si habitam, o horizonte cruzar, para logo voltar e depois partir não consiguia alcançar...
"Eu também vou" decidiu a flor.
Trepou pela árvore, sorriu ao passarinho, que logo viu o sonho da flor.Colocou-a nas asas e voou para lá do horizonte. Era longe, bem longe, no meio dum mar revolto.
Lá de cima a flor avistou um pequeno barco, que lutava contra a maré de tantas emoções.
Soprou o vento,arrastando a flor até à imensidão. O barco se apressou a resgatar uma vida, que tocada pelo gesto, em rocha o transformou.
Agora vivem no imenso azul, qual ilha plantada no infinito...felizes eles são porque o horizonte já não é uma ilusão!
Rute
Postar um comentário